quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Armou  a  sua   tenda

João 1:14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

Neste versículo, no original grego, a frase “habitou entre nós” significa armou a sua tenda em nosso meio, entre os homens.Portanto o Senhor procura, a todo custo, levar-nos para a sua morada. Além disso, o texto indica a ideia de proteção.
Tenda,  entre os orientais, além de habitação, indica também domínio de  um  abrigo,  que  pode  servir  de  hospedagem.  E  quando  um  chefe  de casa  recebia  uma pessoa,  esta  passava  a  ser  sua protegida,  pois  estava  sob
seu  domínio.Suas  honrarias  se  estendiam  a  tal  hóspede,  como  se  nota  em Gênesis,  no  caso  da  visita  dos  anjos  a  Sodoma  (Gn  19).  Os  homens  de Sodoma  eram  pervertidos  sexualmente.  Queriam  abusar  sexualmente
dos  visitantes  (v.  5).  Caso  isso  acontecesse,  Ló  seria  desonrado sobremaneira,  deixando-o  sob  o  domínio  da  vergonha,  por  não  poder receber  os  anjos  em  sua  casa  (w .  1-3)  e  tê-los  sob  sua  proteção.Então,  Ló  chega  ao  extremo,  dado  o  peso  desse  costume  e consequente honraria,  e oferece suas filhas virgens àqueles homossexuais, que  as  rejeitam  (vv.  7-9).
Os  anjos  destruíram  Sodoma e  Gomorra,  após provocar a  cegueira dos  perseguidores.
Outra  passagem  que  mostra  esse  costume  está  em  Salmos  133:  A honra  a  uma  pessoa  digna,  motivava  o  derramamento  de  azeite  sobre  a cabeça dessa pessoa — um dos mais altos atos de  expressão  de dignidade (v.  2):  “E  como  o  óleo  precioso  sobre  a  cabeça,  que  desce  sobre  a barba,  a  barba  de  Arão,  e  que  desce  à  orla  de  suas  vestes”.
Já  no  Novo  Testamento  temos  Maria,  irmã  de  Lázaro,  que  quebra um invólucro  de perfume  caríssimo,  à base  de unguento  de  nardo puro (“de  muito  preço”)  João  12 ,  e  unge  os  pés  de Jesus.  O  produto poderia  ser  vendido  por  300  denários.  Para  se  ter  ideia,  um  diarista ganhava  um  denário  (dinheiro)  por  diária.  O  valor  do  perfume  era  o equivalente  a  300  dias  de  trabalho   quase  um  ano  inteiro.  Por  isso Judas  retruca  (v4-6),  usando  os  pobres  como  meio  de justificar  a  sua boa  atitude,  quando,  na  verdade,  roubava.
Em  outra passagem  (Lc  7.36-47), Jesus  estava  na  casa  de  um  fariseu, que  o  censura por permitir  que  a  mulher pecadora,  chorasse  aos  seus pés, enxugando-os com os seus cabelos “e ungia-lhos com o unguento”  (v. 38).
Ao  repreender  o  fariseu, Jesus  disse:  “Entrei  em  tua  casa,  e  não  me deste  água  para  os  pés...  não  me  deste  ósculo  (beijo),  mas  esta  mulher,
desde  que  entrou,  não  tem  cessado  de  me beijar os  pés.  Não  me  ungiste  a cabeça com óleo,  mas  esta ungiu-me  os pés  com unguento”  (w.  44-46).

Linhagem  de  Cristo
O  Evangelho  de João,  na  verdade,  mostra  a  origem  espiritual  da Igreja,  ao  indicar  a  gênese  de  Cristo:  “o  Verbo  que  se  fez  carne”.Diferente da gênese de Adão (homem), a semente de Jesus foi estabelecida pelo  próprio  Espírito  Santo,  sem  a  intervenção  da  semente  humana, o esperma,  que  carrega todo  o  DNA ou  características  de um ser. As  características  do  Senhor  foram  dadas,  ou  tiveram  origem  no próprio  Espírito.  Portanto,  o  “armar  a  sua  tenda  e  habitar  entre  nós”, estabelece  também  a  implantação  do  DNA  espiritual,  para  que  o homem  passe  a  pertencer  à  linhagem  de  Cristo.
Dessa  ação  divina  entre  os  homens  temos  o  novo  nascimento  do homem  (nascimento  espiritual  e  não  carnal,  humano),  que  passa  de natural  para  ser  espiritual  (em  Cristo).  Essa  transformação  está  clara  no próprio  Evangelho  de João:  “Veio  para  o  que  era  seu,  e  os  seus  não  o receberam.  Mas  a  todos  quantos  o  receberam  deu-lhes  o  poder  de serem  feitos  filhos  de  Deus:  aos  que  creem  no  seu  nome”  (1.11,12).
Outra  passagem  corrobora  com  essa  afirmação  e  com  o  plano  de transformação  do  homem  em  ser  espiritual,  pela  linhagem  de  Cristo, conforme  o  próprio  evangelho,  que  limita  o  acesso  ao  Reino  aos  que passarem  pela  radical  mudança,  que  o  grego  chama  de  metanóia (meia volta): “aquele  que  não  nascer  de  novo,  não  pode ver  o  reino  de  Deus” (3.3).  Por  fim,  temos  Paulo  falando  o  mesmo  em  outras  palavras:
“Assim  que,  se  alguém  está  em  Cristo,  nova  criatura  é:  as  coisas  velhas
já  passaram;  eis  que  tudo  se  fez  no vo”  (2  Co  5.17).
Portanto  “habitar  entre  nós”  vai  além  de  uma  interpretação  que salta  aos  olhos  quando  simplesmente  se  lê  o  texto.  E  um  convite  para tom ar  lugar  em  uma  habitação  protegida  pelo  Eterno.

Dentro  dessa  “casa  divina”  a  morada  do  Altíssimo,  o convidado,  além  de  receber  honras,  como  vestes  especiais  (Mt  22.11; Ap  7.13),  recebe  ainda,  como  recompensa,  por  depositar  sua  confiança no  Senhor  (literalmente  dono,  proprietário,  marido,  mestre,  ancião  de dias),  a  garantia  de  Vida  Eterna,  acordado  nas  Escrituras:  “E  todos quantos  o  receberam,  deu-lhes  o  direito...”  (Jo  1.12).

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