sábado, 16 de maio de 2015

A função sacerdotal no Antigo Testamento (breve comentário)

         
O único nome que é dado aos sacerdotes de Yahweh no antigo Testamento é kohen, este nome designa também os sacerdotes dos deuses estrangeiros: egípcios, Gn 41.45; 47.22, fenícios, II Rs 10.19; 11.18, filisteus, I Sm 5.5; 6.2, moabitas, Jr 48.7, e amonitas, Jr 49.3. A palavra é comum ao hebraico e ao fenício e é frequente em nabateu. Mas outro substantivo, derivado da raiz kmr, é empregado desde o princípio do segundo milênio a.C. nas colônias assírias da Capadócia, depois em aramaico antigo, mais tarde em palmireano e em siríaco. O equivalente hebraico, sempre no plural kemarim, só aparece na Bíblia três vezes e designa sempre sacerdotes de deuses falsos, II Rs 23.5; Os 10.5; Sf 1.4.A etimologia de kohen é desconhecida. Ela tem sido relacionada ao verbo acádico kanu (raiz k’n), que, na forma shafel, significa “se inclinar, render homenagem”. Mais geralmente, ela tem sido derivada da raiz k’n “ficar de pé": o sacerdote seria então aquele que fica diante de Deus, cf. Dt 10.8, como um serviçal.
“Instalar” um sacerdote se diz “encher sua mão” desde o texto mais antigo, e também o mais explícito, sobre a entrada em serviço dos sacerdotes, Jz 17.5-12. É uma expressão que se acha em Êx 32.29; I Rs 13.33, e depois nos textos da tradição sacerdotal, Êx 28.41; 29 passinm, Lv 8.33; Nm 3.3; ela perde todo seu sentido concreto e significa, em Ez 43.26, a inauguração de um altar. Consequentemente, o substantivo millu’im, “enchimento” (da mão), significa “investidura” dos sacerdotes em Êx 29.22-34; Lv 8.22-33. 
                          O sacerdote e o santuário
O sacerdote é escolhido e instalado para o serviço de um santuário. Esta ligação é universal, era particularmente marcada entre os árabes de antes do Islã: o sacerdote aí é essencialmente um sadin, um “guardião” do templo; ele mantém o santuário, acolhe os visitantes e recebe suas ofertas. O elo é tão forte que, quando a tribo emigra, o sadin fica e continua a exercer seu ofício entre estrangeiros. Seus filhos o substituem e os diferentes santuários são, assim, administrados por famílias sacerdotais. Da mesma forma, nas narrativas sobre a peregrinação no deserto, os levitas acampam ao redor da Tenda, Nm 1.53, cada clã tendo seu lugar determinado, Nm 3.23,29,35, e os aronitas sendo colocados diante da Tenda para impedir o acesso aos leigos, Nm 3.38. Seu serviço é chamado uma “guarda”, Nm 1.53; 3.28,32 etc. Mas, em Israel, a Tenda é um santuário móvel, os sacerdotes se deslocam com ela e são encarregados de seu transporte, Nm 4.5s; Dt 10.8. É se inspirando nesse ideal do deserto que Ezequiel desenha a partilha da Terra Santa e dá aos sacerdotes o território sagrado que cerca o Templo, Ez 45.4. Por isso, não se concebe um santuário que não tenha oficiante. Sob os juízes, Mica, tendo constituído um santuário doméstico, nele instalou imediatamente um sacerdote: ele investe primeiro seu filho, depois o substitui por um levita que casualmente passa por lá, Jz 17. É esse mesmo levita que os danitas levarão em sua migração para o norte e que ministra no novo santuário de Lais, Dã, Jz 18.30. Em Silo, o templo da arca é confiado à família de Eli, I Sm 1-2. Quando a arca, recuperada dos filisteus, é depositada em Quiriat Jearim, um sacerdote é imediatamente consagrado para a guardar, I Sm 7.1. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário