sábado, 16 de maio de 2015

Sinédrio


Esta palavra foi alterada pelos aramaicos, tendo derivado do grego sunedrion, que significa “conselho” ou “sessão de assembleia”. As duas partes da palavra são sun (com) + edra (assento). “Sentar junto” para um propósito específico (isto é, entrar em conselho) é o significado essencial decorrente. A palavra não é encontrada no Antigo Testamento, mas ocorre 22 vezes no Novo Testamento. O sinédrio, como corpo regente, foi mencionado pela primeira vez sob a palavra grega gerousia (anciãos) na época de Antíoco, o Grande (223-187 a. C). Este termo se aplica à regra do corpo aristocrático dos anciãos.
Da forma usada nos Evangelhos e em Atos, a palavra significa “conselho”. O conselho judeu assim chamado no Novo Testamento era um corpo aristocrático, aparentemente controlado pelos saduceus, mas que incluía os principais anciãos, e o sumo sacerdote atuava como uma espécie de presidente. Jesus sofreu amarga oposição por parte desse corpo regente, e as referências feitas no Novo Testamento de modo geral se situam no contexto de oposição. Ver Mat. 26.29; João 11.47; Atos 4.5-22; 5.17-43; 6.12-15. Esse corpo regente retrocede tão distante quanto Antíoco, o Grande, e era um tipo de corpo judicial e administrativo na Palestina romana. Quando Pompeu envolveu-se em uma disputa doméstica entre dois irmãos hasmoneanos (por volta de 66 a. C.), os romanos decidiram governar a Palestina diretamente. O território foi dividido em cinco conselhos (synedria, Josefo, Ant. 14.5.91; Guerras 1.8.170). Todavia, além desses conselhos, os judeus tinham seu próprio corpo regente conhecido pelo mesmo nome. O conselho judeu ficava sob o controle dos romanos, não tendo questões de vida e morte sob sua jurisdição, mas podendo tratar de assuntos menos importantes com a aprovação romana. A maioria dos problemas “judeus” podia ser resolvida por esse corpo, o que livrava os romanos de consideráveis problemas na Palestina. No período rabínico (em tomo de 200 d. C.), Sinédrio tornou-se uma palavra técnica para referir-se à corte rabínica. O Mishna devota um tratado inteiro a isso. Esse documento foi à primeira codificação da lei rabínica.O Sinédrio obteve poder na época da supremacia grega, mas os rabinos tentaram traçar sua história até o conselho de Moisés, os 70 anciãos que eram seu braço direito para propósitos de governo. As grandes lacunas existentes na história hebraica e judaica impossibilitam rastrear a origem desse conselho. A primeira menção clara a tal corpo regente remonta à época de Antíoco, o Grande (223-187 a. C.), quando tal corpo era então chamado de gerousia (no grego, anciãos). Esse conselho aristocrático era formado por donos de terra e homens com poder militar e político, liderados pelo sumo sacerdote. Esse corpo regente continuou a funcionar sob os hasmoneanos, retendo as características mencionadas acima no tangente à gerousia. Ver II Macabeus 1.10; 4.44 e 11.27. A gerousia aparentemente continuou na época de Pompeu, e o sumo sacerdote era chamado de governador (Josefo, Ant. XX 10). O território da Palestina foi dividido em cinco distritos, sobre os quais havia um sinédrio. O Sinédrio judeu assumiu um papel subordinado.
César indicou Hircano II (o sumo sacerdote) para sua antiga posição como etharch, e o Sinédrio judeu ganhou assim mais poder, estendendo à Galileia (Josefo, Ant. XIV. 9 3.5). Foi nesse momento que o corpo regente assumiu pela primeira vez a designação sinédrio, deixando para trás seu antigo nome, gerousia, hoje perdido nas páginas da história. Herodes, o Grande, iniciou seu reinado ao ordenar a execução de todo o Sinédrio (Josefo, Ant. XIV. 9.4), que obviamente não estava cooperando com seus planos e às vezes tinha a audácia de criticá-lo. Assim, Herodes formou um novo Sinédrio, compatível com seus atos e ideias. Após a morte de Herodes, o Sinédrio parece ter ficado restrito a Jerusalém. Sob os procuradores romanos, o Sinédrio ganhou mais poder. Pôncio Pilatos foi o procurador romano da Judeia, da Samaria e de parte da Idumeia, entre 26 e 36 d. Nessa época Jesus teve de enfrentar o Sinédrio Judeu como um poder hostil. 
No sentido mais amplo, o Sinédrio tinha poder sobre todo o mundo judeu, funcionando como a Suprema Corte de Israel. Na época judia, seu poder era limitado às 11 toparquias da Judeia, governando essencialmente apenas sobre Jerusalém. Mesmo esse poder era sujeito à aprovação romana. Embora Jesus estivesse na Galileia, o Sinédrio não poderia (legalmente) tomar nenhuma medida contra ele, mas muitos daqueles que o perseguiam certamente eram enviados por esse corpo regente. Observe que o Sinédrio tinha poder de emitir mandatos às congregações (sinagogas) em Damasco, e, embora isso não fosse oficial da perspectiva romana, as sinagogas sentiam-se constrangidas a obedecer (ver Atos 9.2; 22.5; 26.12). Portanto, enquanto a sua lei não era a lei da terra, era, por assim dizer, a lei da “igreja”, o que pode tê-la tomado viável a despeito de qualquer coisa que os romanos dissessem. As comunidades judaicas distantes poderiam recusar-se a obedecer, mas isso certamente lhes custaria caro. O Sinédrio era mais do que um corpo que tratava de questões religiosas e teológicas. Também tinha poder sobre questões civis relacionadas aos judeus, sempre com a aprovação romana necessária, de forma que o corpo não podia ser acusado de traição. Relativamente às questões da Lei Mosaica, a qual tornou Israel uma nação distinta, a palavra do Sinédrio era a palavra final. Era o fator que traria a execução de Jesus pela “lei romana”, mas presumivelmente inspirada por infrações à Lei Mosaica (ele foi acusado oficialmente de blasfemo pela Suprema Corte judaica). Durante as sessões, os membros sentavam-se formando um semicírculo, para que todos os presentes pudessem ficar de frente a frente. Dois escrivães, um à direita e outro à esquerda, registravam os procedimentos e os votos. O homem a ser julgado aparecia humilhado, em roupas de lamentação. Os argumentos de defesa eram apresentados, e depois se seguiam os de acusação. Discípulos estudantes poderiam falar por ele, mas não contra ele, algo que era a prioridade dos encarregados, membros do corpo regente. Uma absolvição poderia ser dada no mesmo dia do julgamento, por maioria simples, mas não uma condenação, com a qual 2/3 tinham de concordar. O quorum mínimo era de 23 pessoas. Essas informações derivam do Mishna.

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